terça-feira, fevereiro 03, 2009

Um pensamento amargo

"Tenho na minha frente as torres e fortificações de Toledo, antiga capital de Espanha. Situa-se no topo de uma elevação para lá da ravina e acabo de decidir tomar apontamento de todos os acontecimentos importantes da minha vida. Para que as pessoas fiquem a saber o que eu passei.
Mas quem se interessará o suficiente para ê-los? Estou provavelmente a perder o meu tempo. Que diferença faz? Os homens não são irmãos mas sim descomnhecidos que não estão nada interessados nas histórias particulares uns dos outros. Ninguém dá um tostão furado por ninguém.

Mark Niven tinha catorze anos quando escrveu isto na primeira pági d seu diário e o que quis dizer foi exactamente o que escreveu, pois nunca mais lhe acrescentou uma linha.
O diário propriamente dito é um livro pesado, encadernado a marroquim azul, com uma espada gravada a folha deouro na capa. Obviamente, deve ter achado que era objecto demasiado caro para se deitar fora."

p. 11,início de "O milionário inocente", de Stephen Vizinczey

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