segunda-feira, novembro 28, 2005

Memória das minhas putas tristes (2)

O herói de noventa anos contacta a dona de um cabaré que muito tinha frequentado, para que lhe arranje a rapariga virgem. À hora combinada, ele chegou e a rapariga já lá estava, mas a dormir.

"Entrei no quarto com o coração enlouquecido e vi a menina adormecida, nua e desamparada na enorme cama de aluguer, como a pariu a mãe. Jazia meio de lado, de cara para a porta, iluminada do tecto por uma luz intensa que não perdoava qualquer pormenor. Sentei-me a contemplá-la na borda da cama com um deslumbramento dos cinco sentidos." Mais à frente:
"O melhor do seu corpo eram os pés grandes de passos silenciosos, com dedos compridos e sensíveis como os das mãos" (p.29)

Duas páginas à frente: "Tentando não a despertar, sentei-me nu ca cama com a vista já habituada aos enganos da luz vermelha, e analisei-a palmo a palmo." (...) Cantei-lhe ao ouvido: A cama de Delgadina está rodeada de anjos" (p.31)

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